As origens do Yoga (parte 2) 

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Por Geeta S. Iyengar

Trecho do Yoga Rahasya. Tradução livre de Maurício Frighetto

O nome Patanjali consiste em duas palavras: “pata” e “anjali”. “Pata” significa “caído” e “anjali”, mudra ou gesto onde as mãos estão juntas em oração. Em pé diante de um rio, uma velha yogini, Gonika, ofereceu suas orações ao Deus Sol antes de abandonar seu corpo mortal. Ela pegou um punhado de água em sua mão como uma oferta para sacrificar seu conhecimento de yoga e, surpreendentemente, viu uma pequena cobra que, de repente, tomou a forma humana e se prostrou diante dela. Gonika o chamou Patanjali – caído na mão.

De acordo com alguns estudiosos, Patanjali nasceu em Kashmir. Uma seita de Kashmir chamada Nagas (cobras) adora a cobra. Como Patanjali pertence a esta área e seita, eles o consideram Sesavatara. Outros acreditam que ele é do sul da Índia, enquanto outros ainda dizem que é de Bengal. Entretanto, há um forte sentimento entre todos os praticantes que Patanjali é a encarnação do Senhor Adisesa, o divã do Senhor Visnu.

Adisesa apareceu nesta terra muitas vezes: em Treta Yuga como Lakshmana, irmão de Rama; em Dvapara Yuga como Balarama, irmão do Senhor Krishna. Sri Rama e Sri Krishna são considerados encarnações do Senhor Visnu. Como o dever acabou naquele período particular de encarnação de Sri Rama, Lakshmana entrou no rio Sarayu quietamente transformando-se em Adisesa, e o Senhor Krishna o seguiu. Ramanujacharya, fundador da filosofia Visisthadvaita, também é considerado uma encarnação de Adisesa. A tradição do Yoga é traçada em Visisthadvaita desde o começo do tempo de Sathakopan. 

Sathakopan nasceu em um lugar sagrado chamado Sri Nagari, isto é, Alwar Tirunagan (Tamil Nadu). Nascido yogue, costumava sentar sob uma árvore de tamarindo que ainda está no templo hoje. Esta árvore é considerada uma encarnação de Adisesa. De acordo com Brahmana Purana, o senhor Visnu disse: “Ananta (Adisesa), meu divã, descerá como uma árvore de tamarindo sagrada, e eu, com o nome Sathakopan, alegremente o seguirei, uma vez que é meu devoto. O conhecimento foi passado de Sathakopan para Madhura Kavi e dele a Nathamuni, embora este último não o encontrou diretamente. Nathamuni viajou desde Narayanapuram (Tamil Nadu) a Alwar Tirunagari e sentou embaixo da árvore de tamarindo sagrada e meditou. Ele foi dotado com os misteriosos conhecimentos do astanga yoga e mais tarde escreveu um tratado chamado Yoga Rahasya, que, entretanto, está perdido. 

Nathamuni passou seu conhecimento de yoga ao seu discípulo KuruKadhipa, que permaneceu em yoga samadhi no mesmo lugar que foi santificado pela prática de yoga do seu guru. O neto de Nathamuni Yamunacharya não poderia receber o conhecimento de yoga que veio pela tradição diretamente, uma vez que ele não poderia encontrar o avô. Então, após a morte de Yamunacharya o link deste Yoga parampara ficou perdido entre os visisthadvaitins.  

Mesmo assim, nós devemos ser gratos a todos estes acharyas que nos deram o conhecimento do yoga. Shankaracharya como Yogataravali, um tratado de yoga, e Aparoksanubhuti, assim como Yogabhasya-vivarana, um comentário sobre o comentário de Vyasa dos Yoga Sutra de Patanjali, não pode ser esquecido pelos praticantes de yoga uma vez que revela grandes segredos.

Os comentaristas do Yoga

Ao mesmo tempo, não podemos nos dar ao luxo de esquecer os comentaristas que nos ajudam a entender a ciência do yoga a partir de suas perspectivas. Veda Vyasa é o primeiro comentarista, cujos comentários são conhecidos como Vyasa-bhasya. Mais tarde, Vachaspati Mishra comentou em seu Tattva vaisaradi. Bhojaraja escreveu o Rajamartanda-vrtti. Os acessíveis comentaristas modernos a partir do século 17 em diante não são menos importantes. Os mais populares são Yogavrtti, de Bhavaganesh; Caya, de Nagoji Bhatta; Mani prabha, de Ramanada Yati; Sutrartha bodhini e Yoga darsana, de Narayana Tirtha, assim como Bhasvati, de Hariharananda Aranya.

Confira os outros trechos:

As origens do Yoga (parte 1)

As origens do Yoga (parte 3)