Geeta Iyengar sobre Pranayama (parte 1)

Entrevista de Geeta S. Iyengar concedida a Lois Steinberg em 2002. Tradução livre de Maurício Frighetto.  

Lois Steinberg – Pranayama não é facilmente praticado. Você poderia descrever a importância da prática do pranayama e como desenvolvê-la?

Geeta Iyengar – Eu entendo o problema. Acho que os alunos sentem que o pranayama depende apenas do processo respiratório e, portanto, é monótono. Interessar-se pelo assunto é difícil e é realmente necessário ir mais fundo, enquanto com o asana não é necessário que um iniciante entre imediatamente em si mesmo. Isso significa que um iniciante começa de fora para dentro. Portanto, um iniciante, como um extrovertido, pode facilmente começar a praticar asanas. Já para o pranayama, é realmente necessário o processo de interiorização. A pessoa não apenas precisa se tornar extrovertida, mas também precisa de uma visão introspectiva. Patanjali indicou muito claramente que o pranayama deve vir depois que o asana for conquistado. No asana, há um processo de ir de fora para dentro. Fazendo o corpo entender, obtendo a sensibilidade, a sensação de equilíbrio, alinhamentos internos, etc. Se essa compreensão vier, então o pranayama começa.

O problema é que quando os alunos começam a fazer pranayama, eles não conseguem sentir o efeito imediato. Portanto, eles sentem que não há feedback dos estágios iniciais da prática. Já no asana há um feedback imediato: você se sente bem; sente algo bom acontecendo; alguma vida entrando; sangue circulando, sentindo o frescor da mente; você sente que o entorpecimento está diminuindo. Mas no pranayama essas coisas não podem ser sentidas imediatamente. Leva seu próprio tempo.

Mas ainda assim, algum dia o iniciante terá que começar. Portanto, se um iniciante precisa fazer uma tentativa nesse sentido, primeiro precisa aprender a relaxar o corpo, relaxar a mente como fazemos no Savasana. Frequentemente, sinto que Savasana é uma espécie de limiar entre asana e pranayama. Assim que começam a sentir o relaxamento no Savasana, os alunos se aproximam de sua respiração. A mente se acomoda internamente e o corpo celular se acomoda. Então, eles entram em contato com sua energia interior. E uma vez que eles conheçam sua energia interior e a respiração, acho que o interesse pelo pranayama começará a crescer como quando você coloca a semente no solo – o brotamento deve ocorrer nesse estágio.

Nesse estágio, a pessoa se familiariza melhor com essa respiração. Se apenas tivermos algumas ideias em nossa mente de que a respiração deve ser longa, deve ser muito profunda, deve ser completa, então nos deparamos com muitos obstáculos por causa do nosso modo de pensar. Isso não acontece. A respiração não será profunda; a respiração não vai ser longa. Para alcançar essas visões idealistas, é preciso abordá-las de maneira diferente. E, se isso for compreendido, acho que nos interessamos pela prática do pranayama. 

Primeiro, um iniciante deve aprender a fazer Savasana corretamente. E, em Savasana, um iniciante tem que sentir o movimento da respiração, a inspiração e a expiração. E então, ao expor essa inspiração e expiração, você ganha um insight sobre a inteligência do corpo. Um iniciante tem que sentir os pulmões, as costelas, os músculos intercostais, o abdômen, o próprio posicionamento e o próprio movimento dele. Que tipo de expansão interna está ocorrendo? Como alguém está criando espaço ao inspirar? Como alguém fica aquietado na expiração? Como o corpo está retrocedendo? Se esse tipo de diálogo com o próprio corpo e a própria respiração acontecer, acho que um iniciante começará a se interessar. Mas se você me pedir tipos específicos de pranayama, Ujjayi e Viloma serão úteis.

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Geeta Iyengar sobre Pranayama (parte 2)