A essência dos ensinamentos do Guruji (Parte 2)

Geeta S. Iyengar

Trecho do Yoga Rahasya. Tradução livre de Maurício Frighetto

Percepção e consciência

A percepção é o servo ou o mensageiro da consciência. Consciência é caitanya sakti ou mahat, que existe em nós como uma parte de visva caitanya sakti. É vibhu  que permeia tudo, mas que precisa de combustível para funcionar. O combustível é a força de vontade, e prana é a chama. 

Prana (energia) e citta (consciência) são como um casal. Citta se move onde prana se move e vice versa. Infelizmente, nós falhamos ao observar e testemunhar este movimento e o gap entre o corpo e a consciência permanece. A função de testemunhar é expressa através da vontade. O gap entre o corpo e a consciência persiste quando a consciência não é cobrada pela força de vontade. Somente a força de vontade da consciência pode fazer o servo (percepção) chegar e preencher o gap. A vontade é o combustível para energia. A respiração acende o prana e o desejo acende citta.  

A liberdade criada pelos asanas e pranayamas 

Nós podemos criar espaço interno pela prática de asanas e pranayamas. Espaço é liberdade, uma nova abertura, mas é avidya se o “espaço” permanece escuro. Esse “espaço” escuro tem que ser aceso com o “big bang” do prana sakti e citta saki similarmente ao raio que resulta quando duas nuvens colidem. No entanto, a disparidade permanece quando há muito “espaço” sem prana sakti ou citta sakti suficientes. Similarmente, a disparidade permanece mesmo se há muito prana sakti e sem citta sakti suficiente – ou vice versa. Nós devemos medir o “espaço”, prana sakti e citta sakti e aplicá-los uniformemente.    

Nós temos que criar “espaço” para o prana sakti e citta sakti quando nós realizamos asanas e pranayamas. Praticantes, quando trabalham apenas no nível físico, frequentemente não criam este “espaço” e não observam como cada célula tem sua própria inteligência. Este “espaço” é visto por aqueles que penetram mais fundo. Entretanto, o “espaço” não deve ser deixado vazio ou isso matará o praticante.   

A energia prânica, carregada com a respiração e a consciência e carregada com a força de vontade tem que alcançar o espaço. Isto é a real liberdade. É a liberdade plena em vez de vazia. 

A disparidade entre as células, energia e consciência não deve ser permitida nos asanas e pranayamas em relação a estabilidade ou mobilidade, firmeza ou leveza, expansão ou extensão, contração ou relaxamento. Trazer esta paridade é yoga. 

Guruji trouxe para nós esta nova percepção mostrando os caminhos para preencher os gaps entre prana sakti e citta sakti no corpo inteiro como uma única entidade através do desempenho correto de quase todos os asanas como uma união de prana em citta.

Como no tailadhara, onde o óleo derrama de um vaso para outro sem interrupção, Guruji definiu a conjunção de prana (energia) com citta (consciência) e citta com prana através dos asanas e pranayamas. 

Confira o outro trecho:

A essência dos ensinamentos do Guruji (Parte 1)

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